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14/02/2009
Osteopatia é opção contra dor para pacientes do SUS
Delma Medeiros
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
delma@rac.com.br

Usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) de Campinas dispõem de uma alternativa para tratamento de disfunções musculares e viscerais. É a osteopatia — especialização da fisioterapia que propõe a avaliação e tratamento complementar para reequilíbrio do corpo por meio da manipulação das mãos, sem uso de medicamentos. O método, além de ser aplicado em clínicas, está disponível no Complexo Ouro Verde graças à parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde e o Núcleo de Estudos da Osteopatia (NEO), a filial brasileira da Escola de Osteopatia de Madri, na Espanha.

No ambulatório montado no Ouro Verde, fisioterapeutas especializados atendem gratuitamente a população com a supervisão de um osteopata. "A osteopatia atua em cima da neurofisiologia, através de toques específicos das mãos", explica o diretor do NEO, Rogério Queiroz.

Funcionando há cerca de dois anos no Ouro Verde, os alunos do 4 e 5 anos do NEO atendem de 25 a 30 pacientes por dia, ajudando a aliviar dores musculares e de cabeça, e alterações intestinais de pacientes encaminhados pela rede básica de saúde. "A osteopatia não trata a patologia em si. É um método de correção de disfunções por terapia manual, específica para cada caso", diz o coordenador do ambulatório, Rômulo Ordine.

"Trata-se de uma prática que veio somar numa área com bastante demanda", diz a cogestora do convênio e fisioterapeuta da rede pública, Alexandra Ganev. "A osteopatia ajuda a reduzir o tempo de espera para o tratamento e tem uma resposta positiva."

Os pacientes concordam que a resposta é efetiva. "Tinha muita dor de cabeça, dores na cervical e quadril. Com apenas três sessões, já me sinto bem melhor. Até meu filho disse que quer agradecer aos profissionais porque não chego mais em casa indisposta", afirma a funcionária pública Sônia Maria Nogueira Lopes, de 39 anos. O pintor de automóveis Nelson Senna, de 52 anos, também elogia o tratamento. "Sofria muito com dores nas costas e nos braços. Desde que comecei as sessões (já fez cinco), melhorou muito. É excelente", diz.

De acordo com Ordine, o tratamento começa com uma avaliação clínica do paciente. "Analisamos a condição esquelético-muscular, a mobilidade do corpo, áreas de fragilidade, tensões ou lesões, além de aspectos relacionados ao estilo da vida, desde o trabalho até as atividades de lazer", explica. Esses detalhes são importantes na fase de diagnóstico para determinar o tratamento mais adequado.

A prática em uma unidade hospitalar é inédita e atrai inclusive estudantes europeus, como José Luiz Sainz de La Cruz, que está concluindo o estágio de um mês no Complexo Ouro Verde. "Na Espanha só praticamos na escola, com os colegas. É ótima essa oportunidade de trabalhar em um hospital. A iniciativa brasileira cria uma situação privilegiada", diz.

SAIBA MAIS

O tratamento osteopático baseia-se na manipulação, massagem, estimulação neuromuscular e harmonização dos sistemas funcionais do corpo, efetuado com as mãos. A técnica é indicada para tratamento de dores de cabeça, lombares e no pescoço, alterações intestinais, queimação estomacal e hérnias lombares ou ciáticas. Considerada uma especialização da fisioterapia, a osteopatia é recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e reconhecida pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. O curso de especialização tem duração de cinco anos.

O método foi criado em 1890 pelo médico norte-americano Andrew Taylor Still. A partir dos Estados Unidos, a técnica foi difundida na Europa e chegou ao Brasil há cerca de 15 anos. A unidade do NEO de Campinas mantém convênio com a Escola de Osteopatia de Madri, na Espanha, a maior do mundo.
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